Fé e medo

No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. 1 João 4:18

Esta manhã eu fazia a minha devocional sob as sabias palavras do Pr. Ed. René quando eu ouvi a seguinte frase: “O oposto da fé não é a dúvida, o oposto da fé é o medo.”.  Ela me fez refletir a respeito das dúvidas que temos a respeito de tantas coisas que nos  amedrontam nos dias de hoje. Falta de dinheiro, falta de emprego, falta de perspectivas futuras etc.

João escreve que aquele que conhece o amor não tem medo. A melhor representação do amor na história da humanidade é Jesus de Nazaré. A carta de Hebreus escreve a seu respeito: “O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. ” Hebreus 1.3.

Logo, quem conhece a Jesus pode ter algumas dúvidas a respeito do futuro, muitas delas talvez fiquem sem reposta, entretanto não tem medo porque reconhecem que um Deus que tanto nos amou (João 3.16) tem sempre os melhores planos para a nossa vida. Que o ano de 2012 seja um ano de muitas dúvidas, mas de uma fé incondicional e confiante em Cristo.

Confio em Deus, cuja palavra louvo, no Senhor, cuja palavra louvo, nesse Deus eu confio, e não temerei. Que poderá fazer-me o homem? Salmos 56:10-11

Uma nova chance

Deleitando-me espiritualmente na leitura da “Mensagem”, versão da bíblia escrita por Eugene Peterson, me deparei com o texto de João 8 que trata a respeito de uma mulher apanhada em adultério. Independente da gravidade de nossos erros me surpreendeu como Jesus lida com eles através da Sua postura diante daquela mulher.  Esta experiência me ensinou três lições:

Primeiramente que há sempre pessoas para acusar os nossos erros como aqueles escribas e fariseus e as escrituras são claras que acusações não procedem de Deus (Apocalipse 12.10).  Por outro lado Jesus adverte a seus discípulos a não julgar para não sofremos julgamentos na mesma medida.

Em segundo lugar que todos nós temos algo para sermos julgados se quisermos aplicar a lei. Jesus posiciona-se diante das acusações que recaiam sobre aquela mulher da seguinte maneira: “Quem de vocês não tiver pecado que seja o primeiro a atirar a pedra. (A Mensagem)” Destarte, antes de avaliar o erro de outro e investirmos contra eles é mais prudente e espiritual tomar consciências dos nossos (Mateus 7.5).

Por fim não há como negar que nossos erros precisam conduzir-nos a humilhação. Precisamos nos humilhar constante mesmo diante da poderosa mão de Deus (1 Pedro 5.6). Isto nos ajuda a saber onde é o nosso lugar. Apesar disso o Filho mostra aos humilhados e arrependidos como Deus trata os nossos erros. “Ninguém condenou você […] Nem eu […] Siga o seu caminho. Mas de agora em diante não volte a pecar. (João 8.11)”.  Jesus nos convida a uma nova postura, pois Deus tem sempre uma nova chance para um pecador arrependido.

Inimigos domésticos

“os inimigos do homem serão os da sua própria família’.” Mateus 10:36

As pessoas que mais amamos são as que mais nos deixam vulneráveis porque acabam conhecendo as nossas incongruências mais profundas.  Não há como conviver amando  sem baixar nossas defesas e cultivar a liberdade de expressão com gentileza, sabedoria e discernimento.

O padre e psicólogo John Powell em um de seus livros escreveu o seguinte:  “Quaisquer que sejam os meus segredos, lembre-se , quando eu confio a você, eles são parte de mim”. Ao experimentarmos a liberdade da convivência familiar verdadeira, vivenciamos o fenômeno natural da perda de barreiras comportamentais e nos tornamos com o passar do tempo transparentes uns para com os outros. Os nossos segredos, medos, erros são expostos com facilidade se quisermos  viver um relacionamento autêntico.  O conjunto das nossas qualidades e defeitos formam quem nós somos.

A vida familiar cristã exige de nós a comunhão do amor em expressões espirituais como amor ágape, perdão, confissão de pecados, cuidado com os “marginalizados” dentre outros. Infelizmente, uma interpretação egoísta e narcisista  dos fatos que acontecem na vida do outro, leva-nos a nos apropriar de seus defeitos nos induzindo diante das discórdias  comuns da vida comum,  a fazer destes armamentos   bélicos em nossa defesa .

Paulo nos ensina que o caráter cristão aprovado aparece nas divergências (1 Coríntios 11.19).  Espera-se diante delas  posturas congruentes com o perfil do sermão do monte que expressa como deve ser o discípulo de Cristo além da vivência do maior mandamento.  Somente este já basta para não nos apropriarmos das diferenças do próximo. Caso contrário, o inimigo vai estar sempre ao nosso lado.

 

 

The Beaver

Estes dias assisti um filme que contava a história de  Walter Black, empresário bem-sucedido que passava por uma séria depressão. A doença levou-lhe afundar sua empresa de brinquedos, perder  a família e tentar suicídio.  Em sua atitude mal sucedida ele foge de sua doença criando um alter ego na figura de uma marionete em forma de castor (Beaver em Inglês) que carregava para dia e noite em sua mão sem tirar. Walter já não falava, somente o castor.

 

Em um primeiro momento o marionete, que representava uma personalidade alternativa de Black, levantou sua empresa, sua vida conjugal e sua notoriedade como homem de negócios, mas em seu interior não passava de uma máscara para sua verdadeira doença e isto o consumia por dentro. No final do filme, o verdadeiro “Eu” de Walter não conseguia livrar-se  do seu outro chegando ao nível extremo de amputar uma das mãos para livrar-se castor. No fim do filme … Bom não vou contar o final.

 

Na história da vida real isto acontece conosco frequentemente. Nós inventamos e reinventamos mascaras para esconder quem realmente somos. Isto nos distancia das pessoas e de Deus, mas o “verdadeiro” inferno  nos consome internamente tornando-nos pessoas mais amargas, insensíveis e incapazes de amar ao próximo pois perdemos o nosso amor próprio. Destarte,  faz-se necessário arrancar o que nos afasta do amor de Deus nem que para isso precisemos perder partes de nosso ser para voltarmos a ser.  Jesus certa vez disse:  Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. Mateus 5:29.

Mantendo a paz no coração

Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo. João 14:27

Nós devemos buscar a paz de Jesus em nossos corações para tudo o que fazemos. Quando Jesus envia seus discípulos a pregar o Evangelho, ele diz: “Na cidade ou povoado em que entrarem, procurem alguém digno de recebê-los, e fiquem em sua casa até partirem. Ao entrarem na casa, saúdem-na.

Se a casa for digna, que a paz de vocês repouse sobre ela; se não for, que a paz retorne para vocês.” Mateus 10:11-13

A grande tentação é deixar que as pessoas nos façam perder a paz. Estes são ladrões da alegria! Isto acontece sempre que ficamos com raiva, hostil, amargo, rancoroso, manipuladora, vingativa ou quando os outros não respondem favoravelmente à boa notícia que trazemos para eles.

Certa vez alguém presenciou um homem foi judiado por outro em público. Isto acontecia regularmente. Embora sofrendo as ofensas, o oprimido buscava em suas orações a Deus manter a calma.  Indignado a pessoa que assistia aquela barbárie questiona o oprimido: – Como você consegue manter a calma diante de tanta humilhação. Aquele responde logo em seguida: – Eu não posso permitir que as atitudes dele digam como a minha deve proceder.

Em reforma?!

Quem trabalha com construção diz que reformar dá mais trabalho do que fazer novo. Quando reformamos a nossa casa, precisamos retirar tudo o que não nos interessa mais, recolher o entulho, inserir o que desejamos de novo e limpar a sujeira.

No dia 31 de outubro de 1517 o monge agostiniano Martinho Lutero marcou um período de reforma da Igreja. Nele convergiram as insatisfações de milhares de cristãos ao longo da história desde a cristianização do Império Romano. Quase 100 anos antes , por exemplo, o boêmio John Hus morria queimado reclamando a Reforma da Igreja. A partir da iniciativa de Lutero nações reformaram a sua política religiosa o que rendeu até hoje deu o título de protestantes.

Do espírito da reforma, nasceu o seguinte lema: Uma igreja reformada, sempre reformando. O protesto da igreja naquela época não era somente religioso, mas social e político rendendo ao coração do povo o anseio por retornar a essência do verdadeiro Evangelho.  Eu me pergunto, onde está esta essência reformada no cenário evangélico em nossa cidade, em nosso país e no mundo? Onde a igreja esta fazendo prevalecer a justiça do Reino diante de tantas formas farisaicas, hedonistas e egoístas  de cultuar a Deus?

Nós reclamamos da vida como está hoje, mas eu creio que nós perdemos em algum lugar a essência de ser cristão reformado e reformador porque achamos que isso dá trabalho demais para ser verdade, ou achamos que não é verdade o suficiente para ter esse trabalho todo. Amanhã faz quase  500 anos da Reforma Protestante do século XVI.

Cristão, sim; religioso, não

O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito … Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas? João 3:6,10

 

Muito facilmente confundimos uma pessoa religiosa com uma espiritualmente autêntica quando o assunto é espiritualidade cristã. Jesus mesmo disse que o joio e o trigo crescem juntos na mesma plantação e nenhum deles será arrancado antes do tempo (Mateus 13.24-30). Por este motivo devemos nos precaver antes de levantar qualquer julgamento sobre a vida de outrem, pois a colheita não nos pertence.

Pessoas religiosas fundamentam a sua espiritualidade em cima de seus ritos, usos e costumes. Elas são sincretistas, julgando aqueles que não compactuam dos seus mesmos hábitos. Jesus foi enfático ao taxar os religiosos de sua época (Mateus 23.1-4).  Nicodemos (joão 3) era um destes que facilmente nos confundem. Ele era bom, ajudou a Jesus em seu julgamento entretanto não entendia como fazer parte do Reino de Deus. Ele entendia que o Reino o aprovaria pelos suas leis, usos e costumes. Entretanto Jesus diz a ele:  “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo”.João 3:3

Cristãos autênticos, são fruto da graça de Deus (Efésios 2.8-9).  Estes são os únicos capazes de discernir espiritualmente quais propostas são de Deus ou não (1 Coríntios 2.11-14). Quanto aos demais ficam sujeitos ao seu próprio engando (Efésios 2.1; 4.18).

Quando Deus recria, coloca-nos em um processo de gestação espiritual que se concluirá somente na vida eterna.